Contos eróticos: quem sabe mais tarde?
Confesso que essa não é minha literatura preferida. A primeira vez que eu tive disposição para ler um livro de contos eróticos foi no auge da minha vida de solteira. Embora a fase fosse bacana, a tentativa foi um fracasso, fato que (talvez) justifique o trauma.
Um amigo me emprestou o Delta de Vênus. Escrito por uma feminista francesa, Anaïs Nin (é, nome sugestivo!), o livreto é um punhado de putar casos chocantes. Ah, quer saber se sou conservadora? Digamos que muit um pouco, mas o livro tem umas coisas realmente fortes, não foi frescura minha.
Eu interrompi a leitura do livro quando tive um pesadelo por causa de um dos contos. Acordei desesperada, sem saber direito o que acontecia e, claro, culpei o livro por isso. O problema foi uma história de incesto que eu li (que, em questões literárias, é até interessante). Ao virar personagem do maldito conto no pesadelo, traumatizei-me tão bravamente que devolvi o livro no dia seguinte. Até de lembrar é ruim, aff!
Mas antes do pesadelo, a leitura já não estava me agradando como deveria. Expectativas! Achei que a obra me despertaria curiosidades, “coisa e tal”; mas não, o livro me dava era estranheza. Eu, com minha mania de estudar tudo “tecnicamente”, parei de ficar neurada com os exageros das histórias e comecei a viajar no ponto de vista psicológico dos escritos. Li em algum lugar que a escritora se dedicou bastante à psicanálise e então comecei a perceber os rastros freudianos no livro.
Brochante isso? Pode até ser, mas a leitura ficou um pouco mais interessante assim.
Relembrando as partes que eu li e encaixando no pouco que sei de psicanálise, confirma-se a teoria de que sou excêntrica, burocrática e, ahn, um pouco dos adjetivos aplicados à obra. Essa frase, da própria Nin, colocou um ponto final nessa minha auto-análise. “Não vemos as coisas como elas são, mas como nós somos”. (Toma, Raquel, fica quieta agora). Tapa na cara!
Pensando em repensar os conceitos e atitudes, aceito dicas de livros do gênero ![]()
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January 22nd, 2008 at 12:07 am
Eu não li. E, pra ser sincera, agora que você tocou no assunto… caiu a ficha de que eu nunca li nada do gênero. Talvez o mais próximo disso seja “A Última Guerreira”, mas que tem muito mais de história do que de sexo. E quando é a segunda opção, é meio romance, e puxando pro lesbianismo. Anyway, é um livro magnífico e bem escrito, que recomendo apesar do possível preconceito! Beijo!
January 22nd, 2008 at 12:26 am
Acredito que coisas relacionadas a prazer (sexo \o/) misturadas com o proibido trazem a tona sentimentos mais fortes, podendo os mesmo serem bons ou pessimos… Obviamente, seu sonho deve ter sido um forte impacto negativo, pois a imagem de algo desse porte com er… vc sabe! xD
mais em compensação por outros lados, existem historias de outros fatores do proibido que comcerteza fazem com que tudo fique mais magico… Por exemplo, ficar com alguma amiga de alguem de sua casa, tendo todos seus familiares durmindo, vendo tv e tomando cafe, e voce e a “proibida” se escondendo em comodos distantes ao sorrisos e “shhh! vc ta fazendo mto barulho! Eles vão descobrir”.
ô… xD
January 22nd, 2008 at 8:16 am
Este é um livro que eu deveria lido aos 18 anos e não aos 31. Talvez ficasse chocada, ou não. Poucas coisas me deixam realmente transtornada e sempre é quando sou pega desprevinida. Enfim, Anaïs é leitura essencial para qualquer mulher. Mesmo.
Outro livro interessante é a coletânea de contos eróticos da Ediouro.
[]s
January 22nd, 2008 at 8:17 am
Este é um livro que eu deveria lido aos 18 anos e não aos 31. Talvez ficasse chocada, ou não. Poucas coisas me deixam realmente transtornada e sempre é quando sou pega desprevenida. Enfim, Anaïs é leitura essencial para qualquer mulher. Mesmo.
Outro livro interessante é a coletânea de contos eróticos da Ediouro.
[]s
January 22nd, 2008 at 9:14 am
“Não vemos as coisas como elas são, mas como nós somos” - belíssima frase! Isso merece um post… hehehehe
Falando sério, eu acho que o juízo de valor deve ser deixado meio de lado quando a gente se dispõe a apreciar qualquer tipo de arte. Certas coisas não podem - ou não precisam - ser rotuladas como “certas” ou “erradas”. Acho que é o caso dos contos eróticos.
January 22nd, 2008 at 12:44 pm
Ola, eu já li um livro parecido… apesar de vc nao ter dado detalhes do livro, mas já deu pra ter uma ideia…
O nome é Três filhas da mãe do escritor Pierre Louÿs.
Vale a pena!
January 23rd, 2008 at 9:42 am
Leia “A Casa dos Budas Ditosos”, de João Ubaldo Ribeiro.
January 23rd, 2008 at 11:06 am
“A vida sexual de Catherine M.” e “A casa dos budas ditosos”. Gosto de ambos. Um q não é de contos eróticos mas tem um bocado de erotismo e uma grande lição do tipo “dê amiga, senão cê surta” é “O Homem” do Aluísio Azevedo.
January 25th, 2008 at 12:00 am
Anaïs Nin foi uma triste decepção.
Talvez pelo fato de ter alimentado expectativas a respeito da leitura. Lembro-me de quando encontrava trechos de livros dela passeando em comunidades no orkut e pensava com meus botões e presilhas: “puxa, literatura erótica francesa tem que ser uma coisa muito boa”. Não foi. Li Delta de Vênus, Pequenos Pássaros e por fim Uma Espiã na Casa do Amor. Todas estórias vazias de vida, intensidade e de vez em quando até de senso de continuidade, talento na escrita mesmo. Nada de realmente novo ou interessante. Nem preciso dizer que não me chocou de forma alguma.
Dizem que são nos Diários que ela se entrega totalmente, quando detalha a vida íntima entre ela, seu amante Henry e a esposa dele. Diários tendem a ser mais empolgantes. Como o título sugere: quem sabe mais tarde?

January 25th, 2008 at 9:35 am
Opa! To anotando as dicas

Confesso que comecei a ler “A casa dos budas ditosos”, e abandonei tambem a leitura. Mas nao foi por esse tipo de motivo nao, foi por pressao da faculdade e essas demais obrigações!
February 4th, 2008 at 10:51 am
Eu li Delta de Vênus porque um dia me disseram que eu escrevia contos de uma forma que lembrava Anaïs Nïn. Bom, pra ser sincera não me vi ali e mais ainda, até metade do livro eu estava odiando a leitura. Mas no final, gostei do livro e ele abriu as portas pra esse tipo de leitura. Li outros dois depois: “100 escovadas antes de ir para a cama” e “O terceiro travesseiro” que li porque um amigo indicou.
Mas falando em Anaïs, depois de Delta de Vênus eu li “Em busca de um homem sensível”, que não tem nada de erótico e menos ainda de auto-ajuda. É uma coleção de crônicas e participações em revistas da época, que mostram que Anaïs não é só romancista, é também um revolucionária e totalmente a frente de seu tempo, com idéias inovadoras e chocantes, que hoje a gente nem dá valor e acha normal e banal.
Uma história nunca deve ser lida apenas como texto literário, deve-se levar em conta a época em que foi escrito e o autor.
Contos eróticos, acha-se aos montes por aí.
Aliás, se não gostou de Delta de Vênus, talvez não deva tentar também “Os contos proibidos do Marques de Sade”.
April 17th, 2008 at 10:32 am
Eu achei um livro dessa autora na estante de casa. Era do meu padastro. Eu devia ter uns 12 anos. Uau! Foi o máximo. Eu lia sempre. Gostei muito. Pra mim foi uma formação interessante.
bjs
July 17th, 2008 at 7:06 pm
1. “Memórias de uma Mulher de Prazer - Fanny Hill”, de J. Cleland (1748- 49)
2. “O Amante de Lady Chatterly”, de D. H. Lawrence (1928)
3. “Trópico de Câncer”, de Henry Miller (1934)
4. “História de O”, de Pauline Reage (1954)
5. “Crash”, de J.G Ballard (1973)
6. “Entrevista com o Vampiro”, de Anne Rice (1976)
7. “O complexo de Portnoy”, de Philip Roth (1969)
8. “O Mago”, de John Fowles (1965)
9. “The Wind-Up Bird Chronicle”, de Haruki Murakami (1995)
10. “Amor Sem Fim”, de Scott Spencer (1979)
11. “Lolita”, de Vladimir Nabokov (1955)
12. “Carrie’s Story”, de Molly Weatherfield (1995)
13. “Medo de Voar”, de Erica Jong (1973)
14. “Peyton Place”, de Grace Metalious (1956)
15. “História do Olho”, de Georges Bataille (1928)
16. “O Fim de Alice”, de A.M. Homes (1996)
17. “Vox”, de Nicholson Baker (1992)
18. “Rapture”, de Susan Minot (2002)
19. “Prazeres Singulares”, de Harry Mathews (1983)
20. “Em Carne Viva”, de Susanna Moore (1995)
21. “Brass”, de Helen Walsh (2004)
22. “Candy”, de Terry Southern and Mason Hoffenberg (1958)
23. “Forever”, by Judy Blume (1975)
24. “Um Sonho Americano”, de Norman Mailer (1965)
25. “O Carpetbaggers”, de Harold Robbins (1961)
Divirtam-se!