Então que um mocinho trouxe à tona nos comentários do post anterior a questão dos relacionamentos abertos. Relacionamento aberto… Ah… Minha boca saliva só de dizer essas duas palavras. Relacionamento aberto é o Santo Graal de todos os relacionamentos.

Fotos originais por Marianne Perdomo Quem não gostaria de ter um relacionamento tão íntimo, tão confortável, tão seguro, que fosse absolutamente livre de amarras?

Na minha utopia todos os relacionamentos deveriam ser assim. A gente tem essa tendência a fazer do amor uma prisão. Não é que o coração não guarde sentimentos verdadeiros, mas nossas cabeças corrompem tudo inventando coisas como posse, dívidas, necessidades. Como se dar a uma outra pessoa esse sentimento precise de pagamento. Tipo: eu te amo logo, você precisa fazer isso, isso e aquilo pra mim. As incontáveis provas. Não é suficiente ser você mesmo e compartilhar aquilo com outro alguém que está só sendo ele mesmo. A idéia que vinga é que quando se ama somos do outro e não mais de nós mesmos.

O estigma do termo “relacionamento aberto” é que ele só existe para que ambas as partes caiam pra vagabundagem. Eu ainda tenho dificuldades em entender porque o prazer sexual é tão feio, sujo e bobo.

Não tô falando que não sinto uma dorzinha quando gosto de alguém que decide transar com outro alguém, mas na real, eu preferiria não sentir. Eu não entendo porque não consigo ser simpática com a realização sexual de alguém que quero bem, como me sinto quando, por exemplo, a pessoa conquista algo profissionalmente….

Enfim, o fato é que eu nunca vi relacionamentos abertos funcionarem. Me lembro da primeira vez que ouvi falar disso. Eu tinha uns 17 anos e no meio que eu andava tinha um grupo que pregava um monte de coisas diferentes/revolucionárias/libertárias. Eles tinham alugado uma casa e moravam todos juntos com seus novos conceitos e ideais, mas quem tava fora pouco sabia do que rolava lá dentro. Até que uma amiga minha começou a namorar uma mocinha desse grupo. A primeira coisa que eu quis saber foi “uai, mas ela não era casada com o Fulaninho?”, era e continuava casada, eles tinham um “relacionamento aberto”. Achei toda a idéia bem surreal e não botei muita fé. Minhas apostas se confirmaram quando Fulaninho começou a fazer uns barracos na rua, brigar, chorar, discutir. Ele não entendia como a mulher dele podia amá-lo mas decidir namorar a minha amiga. No fundo, nem eu.

A cabeça não deixa. Por mais que seus sentimentos sejam puros e verdadeiros a cabeça vai ficar instigando. Mas o que eu faço de errado que o/a leva a precisar de outra pessoa? Porque ele/a me satisfaz completamente e a recíproca não é verdadeira? Não sei. Deve ter a ver com aquele lance do sexo ser tão feio, sujo e bobo. Talvez, resolvendo isso, tudo se resolva.

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“If you have lots of others, please let me be… Please let me be one… Let me be one…”

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