Falemos um pouco do meu passado. Eu tive relacionamentos horrendos que funcionavam pra mim como a sustentação das minhas convicções que a solteirice era a melhor opção de um ser humano na vida. As pessoas dentro de relacionamentos ficam tentando se moldar, ou pior, moldar o outro e isso machuca deveras. Imagine-se montando um quebra-cabeças e dando pequenas picotadas nas peças com uma tesoura para que elas se encaixem. Não faz sentido nenhum, faz?

Você vai acabar com um amontoado de peças mal encaixadas, uma imagem incompreensível e pedacinhos espalhados pelo chão.

http://www.flickr.com/photos/afsilva/

Talvez por isso as pessoas saiam tão quebradas de relacionamentos. Elas se tornam um monte de peças e seus pedacinhos recortados, tentando redescobrir o que vai aonde e colando com durex. Quatro anos atrás eu estava entrando num consultório para me tratar com uma psicóloga, quase sem conseguir falar, totalmente surtada. Eu era só pedacinhos retalhados e toneladas de durex. Penei um bocado pra descobrir que figura meu quebra-cabeças formava e prometi pra mim mesma que nunca, jamais, em tempo algum eu permitiria que uma tesoura chegasse perto das minhas pecinhas. Eu cogitava que talvez tivesse desenvolvido uma fobia de tesouras, mas também não me preocupava em perdê-la. Pelo contrário, abraçava minha fobia e partia pro abraço.

Meu modus operandi solteiral era curioso. Eu tinha meninos diferentes para funções específicas “esse é pra quando eu quiser um pouco de carinho, esse para sexo selvagem, aquele para ir ao cinema, aquele outro para… ” enfim! Às vezes eu pensava que seria bom se eu pudesse montar um Frankestein de pedacinhos bons dos meus meninos, mas nunca racionalizei demais sobre o assunto. Meu erro foi nunca cogitar que poderia existir um quebra-cabeças que simplesmente encaixasse no meu.

http://www.flickr.com/photos/intvgene/

Até que um dia, como um grande felino escolhendo presas, eu encontrei o inesperado. As peças dele foram se encaixando nas minhas sem o menor esforço, horas se passavam em segundos, cadê o defeito? Todos vêm com defeito!!! Ele tinha namorada, “Eu vou terminar”, eu conheço esse papo, não caio nessa, terminou, dias se passavam em segundos, o ar sumia em pensar aquela boca beijando outra que não a minha, “Beija só a minha?”, beijo sim, explicações para aquele bocado de caras que em pedaços me satisfaziam, “Mas e aquele papo de relacionamento aberto?”, desculpa não dá mais, “E os solteiros?!”, o que eu vou dizer pros solteiros?!? Apaixonem-se.

E é por isso que estou aqui me despedindo de vocês.

Não que eu ache “apaixonem-se” um conselho ruim. É ótimo! Espero que aconteça com todos! Mas não tá na nossa mão, não dá pra forçar, senão acabamos todos com tesouras, pedacinhos destroçados e durex por todo lado. Da mesma forma que eu não conseguiria forçar minhas convicções solteirísticas no que sinto, não dá pra forçar o que sinto em alguém que ahm… Não me faça sentir de fato… Ou que não sinta o mesmo.

Então eu vou. Talvez até volte. Talvez só volte quando o Solteiros.org se transformar num Casados.org. Talvez eu simplesmente espere vocês chegarem do lado de cá, se divertindo e felizes, convictamente compromissados!

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