You’re the man, I’m the girl, we look good together…
Devo começar dizendo que sou uma solteira convicta e isso, por inúmeras vezes, causa um certo estranhamento nas pessoas. É super comum ver homens se dizendo avessos a relacionamentos sérios, mas garotas em seus mid-20’s dizendo isso são como alienígenas de dedos brilhantes murmurando “et… call… home…”. Ouso até dizer que homens que fogem de compromisso são vistos como um pouco kawaii e centenas de garotas os desejam para que possam ser “aquelas que o fizeram mudar”. Tá, eu sei, são as mesmas que fazem fila em porta de cadeia tentando converter estupradores e assassinos seriais em bons meninos, mas que tem, tem!
Aliás, mesmo sem querer, acabo de tocar em um dos mais fortes motivos para que as pessoas não se metam nessa: a ilusão de que o amor vai mudar o objeto de seu afeto.
Não adianta se enganar, nem me venha com esse papo de “minha namorada me ama como eu sou” ou “meu namorado não mudaria uma vírgula em mim”. Mentira. Mentira das grossas. Aliás, pra que você acha que existe “namoro”? Você acredita mesmo que leva mais que, não sei, uns 30 encontros pra saber se alguém é compatível com você? Se dá pra viver o resto da vida e procriar? Namoro só existe pra ver se você muda com o tempo, se adapta, se cede, se faz ceder.
Tem uma outra categoria de namoro ainda mais cruel que é quando você gosta muito de uma pessoa e ela adoraria gostar de você também. Ixi! Esse é o pior, você fica lá se esforçando e a pessoa tentando se forçar a se sentir da mesma maneira. Geralmente a pessoa que não gosta vai tentando te moldar em algo que a agrade. É uma carnificina, sempre resulta em mortos e feridos.
O fato é que pessoas namorantes são muito persistentes e otimistas nesse lance de mudar o outro. Alguns anos atrás eu tive um namoradinho (coitado) que eu transformei numa releitura do Conor Oberst. Eu não o achava suficientemente atraente então resolvi redecorar o ambiente. Claro que ele ficou muito melhor, minhas amigas elogiavam o meu bom trabalho, “Nossa Lori, nunca imaginei que um garoto tão sem sal poderia ficar tão mais interessante!”, também influenciei o gosto musical dele, as leituras, os filmes que ele via… De repente daquele menino que eu tinha começado a namorar ele não tinha NADA. Nada. Nadica de nada. Ele tinha uma franjinha maneira, roupas estilosas, papo agradável, mas eu não conseguia olhar pra ele e ver uma pessoa. Ele não era ninguém.

Oi Conor, você é alguém! Nyam, nyam! Meliga! Beijos!
O problema de construir pessoas é que depois que elas ficam prontas tudo fica muito previsível e very boring. Como robôs que você mesmo programou. A moral da história é que não vale a pena. Primeiro porque a chance de você estar tentando moldar alguém de fato moldável é pequena. Segundo é que mesmo que você dê a “sorte grande” de achar alguém tão maleável não vai ser como você imagina. Essa pessoa, teoricamente perfeita pra você, não vai fazer seu coração acelerar, nem borboletas voarem freneticamente no seu estômago. Vale muito mais a pena sair experimentando, vendo se serve, descobrindo o outro você aprende muito mais sobre você mesmo. Por isso vale mais a pena ser solteiro, se alguém que pode servir de fato passar pelo seu caminho você vai estar disponível pra degustar.
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January 16th, 2008 at 3:43 pm
Mas… Mas… E o que acha então de relacionamento aberto?
January 16th, 2008 at 4:17 pm
Ótima música para acompanhar o post. : )
January 16th, 2008 at 7:14 pm
Spamkids, relacionamento aberto é muito válido e super digno mas falho em conhecer algum que funcionasse. Talvez pq parte do problema seja a pessoa crer que antes de dar o fora “o outro” vai dar alguma satisfação. Mas isso é assunto pra ouuuutro post.
Mario, servimos bem para servir sempre!
January 17th, 2008 at 2:19 am
clap clap clap… Mto bom post minha nobre colega d blog
Parabens e to contigo… e naum abro =P