Manual “Como voltar a ser solteiro de forma rápida, prática e indolor” (eu espero) - Parte Primeira

July 12th, 2008 by Lori

Uma das desgraças de voltar a ser solteiro é que de repente, tudo que antigamente era super natural e agradável se torna estranho como se fosse uma primeira vez. Por fora você faz de conta que não é nada mas no seu íntimo rola uma explosão de sensações, medos e inseguranças que você até conhece bem, são parecidos com aqueles que você sentiu pela primeira vez que fez cada uma dessas coisas. A verdade é que você está passando por uma mudança. A coisa não é simples como você-solteiro-agora igual a você-antes-do-relacionamento. Se for, se preocupe. Isso é um sinal de que você não está crescendo nada como ser humano e viver a vida a esmo é uma merda.

A primeira balada:
Pela primeira vez em muito tempo você sai sem ter que se preocupar com um outro que não está ali e que pode estar se preocupando com você. Saída sozinha de pessoa namorando é uma atitude de observador. Um observador que muitas vezes recebe ligações no decorrer da noite e que acaba sempre com um desejo inacreditável de voltar pra casa. Eu, como namorava a distância, direto saía sozinha, mas é um acontecimento absolutamente diferente de sair sozinha solteira.

O primeiro ponto é que, solteira, não dá vontade nenhuma de voltar pra casa. A observação deixa de ser fruto de uma simples curiosidade pra se tornar uma procura. Não necessariamente a procura por alguém, ou por alguma ação entre você e outro alguém, mas uma procura por diversão, tenha ela a cara que for.

Minha primeira saída foi uma ótima oportunidade, aniversário de uma amiga querida num bar que eu gosto muito e com pessoas muito agradáveis. Até aí tudo fluiu lindamente, falei merda como antigamente, fiz todas as piadinhas de cunho sexual que passaram na minha cabeça (coisa que eu segurava horrores enquanto não-solteira), me diverti enfim. O problema foi a esticada praquela-boate-que-inaugurou-enquanto-você-namorava e que você não tinha se interessado em conhecer. No auge da madrugada amiga também recém-solteira dando PT e chilique por querer ligar pro ex dela depois do álcool, saio correndo pra dentro da boate com o celular da amiga, erro a porta, danço um pouquinho, “aqui só tem gay e casal”, o Dj é horrendo, o lugar é legal, “tá bom vambora”.

O saldo final até foi bom, a noite foi satisfatória e eu saí pensando “Ah vá! É até bom ser solteira!”. Até o dia seguinte…

A primeira festa mais familiar:
Uma festa clássica anual da empresa da minha irmã. Não é exatamente um lugar pra se conhecer pessoas, você tem que ficar feliz com os conhecidos que encontra por lá. E quem eu encontro? Duas amigas, uma, a mesma da noite anterior, que voltou com o ex que é uma pessoa detestável e a trata super mal, a outra era uma que também tinha voltado com um ex detestável que a trata super mal.

O que pensar? “Pô, meu ex nem era tão mal assim comigo, por que mesmo eu terminei com ele?” A bregueira no ar, Falamansa tocando, e “doeu, doeu, agora não dói, não dói, não dói”, lágrimas. Será que não dói mesmo? Será que eu sou uma pessoa horrível, ultra-exigente, que vai acabar sozinha com 15 gatos (e um cachorro) execrada pela sociedade? Será que eu fui injusta com aquele cara que era um lorde inglês perto desses dois idiotas que minhas amigas escolheram pra elas?

Fugi pra falar de arte abstrata com uma amiga meio aérea da minha irmã. Foi um belo monólogo. Bebi quentão até não ter mais. O telefone toca. “Meldels! É ele dizendo que retira todas aquelas coisas horríveis que disse e que nós vamos ficar juntos de novo e ter filhos lindos!!!” Não era. Era um moço que queria confirmar nosso date do dia seguinte. Menos mal, vamos sair sim, liga amanhã que eu te encontro onde você achar melhor, beijotchauficabem!

O primeiro date:
Dates são uma coisa MEDONHA. Dates são encontros com pessoas que a gente não conhece muito bem e decide correr o risco de ficar a noite toda sentada numa mesa conhecendo. Dates têm dois lados, podem ser excelentes e podem ser um pesadelo. Ainda mais que esse date específico era quase um blind date. Só tinha visto uma ou outra foto do moço, a recíproca era verdadeira, e tudo isso age em prol de causar calafrios de tensão. Marcamos em um bar que eu nunca tinha ido, pra tomar vodkas de tangerina. Bar grande, cheio, me sentia ridícula com meu sobretudo italiano mas o ex levou a jaqueta de couro de herança e fazia frio demais, “procura uma menina com a camiseta do Punisher, só pra ter certeza que, caso nos percamos, seja proposital”, uma mãozinha se levanta na multidão.

Moço de bela figura, escritor, cara de escritor, visu de escritor, papo de escritor e alma de artista. Identificação e simpatias imediatas. Inteligente, culto, conversas que há muito eu não tinha. Sem querer cuspir no prato que eu comia (e ô, como comia com gosto) mas gente com alma de artista atinge níveis de conversa impressionantes comigo. Normalmente isso é uma tremenda preliminar pra mim, é começar aquele papo intelectualizado e pequenas correntes elétricas começam a percorrer meu corpo em direção à minha pele. Mas nesse dia eu era um Fiat 147 a álcool tentando dar partida em uma manhã gelada. Eu não conseguia entender!!! Atraente, check! Alto, check! Inteligente, check! Agradável, check! Admirável, check! Flertante, check! QUE MERDA TÁ ACONTECENDO COMIGO?!

Oito, sim, eu disse OITO horas de conversa maravilhosa, mais de uma dezena de vodkas de tangerina, muitas cervejas e o moço parte pras investidas mais incisivas. Eu forçava meu corpo em direção ao beijo mas uma força do além o jogava pra trás fazendo com que eu parecesse uma daquelas cenas clássicas de desenho animado que o personagem treme de tanta força que faz pra dar um beijo. Ele dizia “mas eu te amei…” e eu pensava “o hotel onde eu beijei o ex pela primeira vez está do outro lado dessa avenida, no Google Maps os marcadores ficariam inclicáveis!”. Propus que caminhássemos mais um pouco e acabamos na porta da delegacia. Um cenário ideal pra que pessoas como eu e ele se beijassem pela primeira vez. Arranquei toda força do meu ser e beijei. Beijei outra vez. Beijei mais uma e fiquei exausta.

Eu conscientemente queria beijá-lo e deixar-me explodir em desejo de pele na pele, de querer a barba dele esfregando por todo meu corpo, de deixar aquela noite gelada cheia de calor e suor. Mas por dentro aquilo tudo parecia absurdamente errado e desconfortável. “Não consigo, desculpa… Vamo meiar o taxi?”. Mais um beijo na porta de casa e “boa noite”.

Primeiras vezes são mais difíceis do que eu esperava.

Manual “Como voltar a ser solteiro de forma rápida, prática e indolor” (eu espero) - Parte 0

June 28th, 2008 by Lori

Nota da Autora: Antes que você, meu bom leitor, chegue aqui cheio de esperanças ao ter encontrado o manual pelo qual você esperou sua vida inteira, saiba que estas linhas serão escritas durante o meu próprio processo de volta.

Eu ainda acredito no amor. Acredito mesmo. Acredito muito. Eu acredito que o amor é capaz de fazer coisas maravilhosas e inimagináveis com os seres humanos. Eu não sei de onde ele vem, não tenho certeza que ele possa ser construído com a convivência e quando eu amo alguém eu não tenho motivos. Escutei essa pergunta no dia fatídico: Por que você me ama? E não existiam porquês, existiam sim, motivos pelos quais eu continuava amando-o. O amor mesmo era só aquela coisa inexplicável dentro de mim que não deixava que eu me irritasse com ele mesmo quando ele era irritante. Era aquela coisa que me fazia sorrir para fora da mais absoluta tristeza dentro de mim só por me lembrar que ele existia. E eu poderia ficar horas e horas exemplificando todas as coisas lindas que o amor faz com a gente mas não é o objetivo destas linhas.

O importante é que sendo o amor essa força que nos faz sair da casca do medo e se jogar no desconhecido, porque não? Ok, pensando assim parece uma idéia de jerico. Aliás soou como aquela lenda do cara que tomou LSD, achou que era o Super-Homem e pulou do décimo-segundo andar. Mas é que a vida é muito mais simples do que parece e as pessoas parecem não perceber. Uma hora você está ali, sofrido, lendo Nietzsche e incompreendendo a sua própria existência, daí bota o fone no ouvido, atravessa a rua distraído e pronto, virou tapete no asfalto.

São dois pontos importantes nessa curta história de sabedoria criada por mim mesma:
1) Você tem que tirar o melhor da sua vida o TEMPOTODO. Repito: O TEMPOTODO. Não tem dessa de esperar acontecer isso ou aquilo pra ser feliz. Essa é velha. É repetitiva. Não entra na minha cabeça que tanta gente ainda se encha de “se isso, se aquilo, quando isso, quando aquilo”. Não! AGORA!
2) A gente é bicho. A gente, como ensinado a todos vocês na terceira série tem o seguinte ciclo vital: nascer - crescer - reproduzir - morrer. Claro, você é racional, então não precisa comer cocô e fazer tudo isso de forma a ter uma vida horrenda e sofrida. Você também pode escolher pular algumas dessas etapas ou saciá-las de formas alternativas.

Todo esse blablabla por que? Para dizer que namoro pra mim é um momento de evoluir nesse sentido. É a busca de um parceiro que vai me fazer companhia na saída da minha condição de criatura para alçar uma posição de criadora. Sair da família de origem e começar a formar a própria família. Se não for pra isso, eu acho que não vale a pena.

E até explico porque não vale a pena. Vejamos, tirando essa busca por algo maior de um namoro ficamos com: amizade, beijinho e metidinha.
Amizade eu tenho aos tonéis.

Beijinho e metidinha é mais fácil ter com vários jovens mancebos aos quais eu não devo nada. Comassim? Eu explico: Vocês já repararam como os homens, quando querem te conquistar, te tratam absurdamente melhor do que o velho e bom namorado? Tratam sô! É a lei da Selva. Eles viram Lordes Ingleses quando querem te levar pra cama, é coisa linda de se ver. O beijo vai ser tão gostoso quanto o do ex? Talvez não… A metitidinha vai ser tão bem dada? É possível que também não… Mas pelo menos você vai estar aberta a conhecer o beijo melhor, a metidinha melhor, e talvez aquela pessoa que vai querer entrar naquela viagem mágica de evolução do serumano yadayadayada.

Esse texto é pra quem terminou recentemente e não consegue se livrar da saudade, ou praquelas pessoas que se arrastam em relacionamentos zumbis só porque tem medinho de entrar na solteirice. C’mon, se eu consegui dar fim no meu namoro com um cara que eu ainda amava, você consegue terminar com esse cara que você só mantém por perto porque se acostumou. Dói, faz chorar, mas passa, cura e abre seus caminhos para que um dia você seja feliz de fato com alguém ao seu lado. Enquanto não for a hora, é mais fácil ser feliz sozinha.

“Ser” Solteiro

June 16th, 2008 by Ronaldo Costa

Ficar/Estar/Ser solteiro, não muda o estado civil. Viver sem regras, onde não existe um(a) namorado(a) que mal chega e quer andar na janelinha, ditando as regras da sua vida. Passar um sábado inteiro com os amigos tomando cerveja depois chegar em casa com a “roupa do corpo” e dormir até o dia seguinte sem se preocupar que tem um aniversario da amiga dela pra ir ou um cinema pra ver aquele filme mamão-com-açúcar.

E falando em sair com amigos, a única coisa que você não quer é ver a(o) ex (juro que pensei outra coisa a dizer ao invés de ex., mas não sei qual horário esse post vai passar!) com o seu atual parceiro(a). Uma cena que sobra diplomacia e falta educação no pensamento. A ex-namorada pensando “nossa, tadinho. Como ele ta mirradinho, quando tava comigo era tão forte” e ele “Meu Deus, ela ta uma baleia. Esse cara não deve botar pra quebrar na cama!”. E depois de um breve cumprimento e o famoso “como você esta?”, vai embora pensando ou lembrando mais besteiras ainda que o horário não permite veicular.

A única hora que um solteiro tem que dar o braço a torcer que é horrível estar, ficar, ser ou qualquer merda dessas, é o Dia dos namorados. Ver todos os casais saindo a noite para um programa a dois. E você, sozinho, tendo que ficar em casa. Porque sair a caça hoje só se for pra mexer com a mulher dos outros e sair com um amigo, apenas um amigo, é suspeito rapaz. Vá em turma ou fique em casa. Vendo aquele filme sangrento do Rambo. Agora sempre tem uma amiga carente que sempre topa umas loucuras, e numa data dessas não caíra nada mal um telefonema com uma proposta indecente. E lembra-se nunca tente comer o prato principal na entrada. Leve-a é um bom restaurante e depois saboreie a sobremesa curtida num bom vinho!

E através das minhas mergulhadas na Internet, fiquei sabendo que criaram o dia dos solteiros, dia 15 de Agosto. Desde quando, não sei. Mas, se alguém souber, avise-me. Enfim, agora os solteiros de plantão pode comemorar uma data totalmente reservada para eles. Agora, tem quer ser solteiros convictos pra comemorar, porque se for uma cambada de solteiros frouxos pode acabar virando namoro.

Então, a regra é clara. Solteiro ou não, você terá o seu dia. Afinal, sempre tem uma data pra tudo. E o brasileiro ainda consegue torná-la feriado. Por falar nisso, não temos feriados tão cedo. Vou processar esses caras que me acostumaram mal.

Abraços!

geografia

February 27th, 2008 by Mariana Apocalypse

quando estava fazendo ambientação (uma semana de palestras sobre a empresa, metade delas sobre segurança o trabalho) do meu estágio reparei em um menino da lente azul. reparei porque:
1) o olho (a lente) era MUITO falso. uma coisa meio azul turquesa;
2) o cara vivia coçando o olho e pingando soro, remédio, sei-lá-o-que, o que significa que além de feia, a lente incomodava;
3) em um dos dias ele ficou de óculos escuros dentro do auditório, do tanto que aquela COISA tava incomodando.

eu sempre me perguntava: “pra que usar isso, se nem bonito é?”. como não era problema meu eu voltava pras minhas viagens a Marte, digo, voltava a prestar atenção nas palestras.

no último dia de ambientação, ele sentou do meu lado e me viu mandado sms via “mutretagem” da TIM. segue diálogo:
“o número que manda mensagem de graça é “alfa,beta,teta,etcetal”?
“é…”

dada hora eu vi o cara mexendo no celular e com toda minha “comunicatividade” (não apreeeendo!) fui brincar com o infeliz:
“já vai mandar mensagem de graça…”
“é Mariana teu nome, né?”
“é…”
“e teu celular?”
“ãhn?”
“o número do teu celular?”
“alfa,beta,teta,etcetal” (detalhe que eu tenho algum tipo de bloqueio, porque não consigo dar o número errado)
“dei um toque aí. tá no silencioso?”
“tá, sim. vou salvar, como é teu nome?” (pensando: “vou salvar, porque se você ligar eu vou binar NA HORA!”)
“Washington. se você esquecer, é só lembra da capital dos Estados Unidos, hehehe.”

aí ferrou de vez, lente azul, piadinha infame… bom, ele nunca ligou.

sim, mas essa história toda é pra contar que hoje eu tive a honra de almoçar em frente a Washington, capital dos Estados Unidos!

I never thought that love would save me and I’ve never been so happy to be wrong….

February 9th, 2008 by Lori

Falemos um pouco do meu passado. Eu tive relacionamentos horrendos que funcionavam pra mim como a sustentação das minhas convicções que a solteirice era a melhor opção de um ser humano na vida. As pessoas dentro de relacionamentos ficam tentando se moldar, ou pior, moldar o outro e isso machuca deveras. Imagine-se montando um quebra-cabeças e dando pequenas picotadas nas peças com uma tesoura para que elas se encaixem. Não faz sentido nenhum, faz?

Você vai acabar com um amontoado de peças mal encaixadas, uma imagem incompreensível e pedacinhos espalhados pelo chão.

http://www.flickr.com/photos/afsilva/

Talvez por isso as pessoas saiam tão quebradas de relacionamentos. Elas se tornam um monte de peças e seus pedacinhos recortados, tentando redescobrir o que vai aonde e colando com durex. Quatro anos atrás eu estava entrando num consultório para me tratar com uma psicóloga, quase sem conseguir falar, totalmente surtada. Eu era só pedacinhos retalhados e toneladas de durex. Penei um bocado pra descobrir que figura meu quebra-cabeças formava e prometi pra mim mesma que nunca, jamais, em tempo algum eu permitiria que uma tesoura chegasse perto das minhas pecinhas. Eu cogitava que talvez tivesse desenvolvido uma fobia de tesouras, mas também não me preocupava em perdê-la. Pelo contrário, abraçava minha fobia e partia pro abraço.

Meu modus operandi solteiral era curioso. Eu tinha meninos diferentes para funções específicas “esse é pra quando eu quiser um pouco de carinho, esse para sexo selvagem, aquele para ir ao cinema, aquele outro para… ” enfim! Às vezes eu pensava que seria bom se eu pudesse montar um Frankestein de pedacinhos bons dos meus meninos, mas nunca racionalizei demais sobre o assunto. Meu erro foi nunca cogitar que poderia existir um quebra-cabeças que simplesmente encaixasse no meu.

http://www.flickr.com/photos/intvgene/

Até que um dia, como um grande felino escolhendo presas, eu encontrei o inesperado. As peças dele foram se encaixando nas minhas sem o menor esforço, horas se passavam em segundos, cadê o defeito? Todos vêm com defeito!!! Ele tinha namorada, “Eu vou terminar”, eu conheço esse papo, não caio nessa, terminou, dias se passavam em segundos, o ar sumia em pensar aquela boca beijando outra que não a minha, “Beija só a minha?”, beijo sim, explicações para aquele bocado de caras que em pedaços me satisfaziam, “Mas e aquele papo de relacionamento aberto?”, desculpa não dá mais, “E os solteiros?!”, o que eu vou dizer pros solteiros?!? Apaixonem-se.

E é por isso que estou aqui me despedindo de vocês.

Não que eu ache “apaixonem-se” um conselho ruim. É ótimo! Espero que aconteça com todos! Mas não tá na nossa mão, não dá pra forçar, senão acabamos todos com tesouras, pedacinhos destroçados e durex por todo lado. Da mesma forma que eu não conseguiria forçar minhas convicções solteirísticas no que sinto, não dá pra forçar o que sinto em alguém que ahm… Não me faça sentir de fato… Ou que não sinta o mesmo.

Então eu vou. Talvez até volte. Talvez só volte quando o Solteiros.org se transformar num Casados.org. Talvez eu simplesmente espere vocês chegarem do lado de cá, se divertindo e felizes, convictamente compromissados!

If you have just one, let me be that love….

January 24th, 2008 by Lori

Então que um mocinho trouxe à tona nos comentários do post anterior a questão dos relacionamentos abertos. Relacionamento aberto… Ah… Minha boca saliva só de dizer essas duas palavras. Relacionamento aberto é o Santo Graal de todos os relacionamentos.

Fotos originais por Marianne Perdomo Quem não gostaria de ter um relacionamento tão íntimo, tão confortável, tão seguro, que fosse absolutamente livre de amarras?

Na minha utopia todos os relacionamentos deveriam ser assim. A gente tem essa tendência a fazer do amor uma prisão. Não é que o coração não guarde sentimentos verdadeiros, mas nossas cabeças corrompem tudo inventando coisas como posse, dívidas, necessidades. Como se dar a uma outra pessoa esse sentimento precise de pagamento. Tipo: eu te amo logo, você precisa fazer isso, isso e aquilo pra mim. As incontáveis provas. Não é suficiente ser você mesmo e compartilhar aquilo com outro alguém que está só sendo ele mesmo. A idéia que vinga é que quando se ama somos do outro e não mais de nós mesmos.

O estigma do termo “relacionamento aberto” é que ele só existe para que ambas as partes caiam pra vagabundagem. Eu ainda tenho dificuldades em entender porque o prazer sexual é tão feio, sujo e bobo.

Não tô falando que não sinto uma dorzinha quando gosto de alguém que decide transar com outro alguém, mas na real, eu preferiria não sentir. Eu não entendo porque não consigo ser simpática com a realização sexual de alguém que quero bem, como me sinto quando, por exemplo, a pessoa conquista algo profissionalmente….

Enfim, o fato é que eu nunca vi relacionamentos abertos funcionarem. Me lembro da primeira vez que ouvi falar disso. Eu tinha uns 17 anos e no meio que eu andava tinha um grupo que pregava um monte de coisas diferentes/revolucionárias/libertárias. Eles tinham alugado uma casa e moravam todos juntos com seus novos conceitos e ideais, mas quem tava fora pouco sabia do que rolava lá dentro. Até que uma amiga minha começou a namorar uma mocinha desse grupo. A primeira coisa que eu quis saber foi “uai, mas ela não era casada com o Fulaninho?”, era e continuava casada, eles tinham um “relacionamento aberto”. Achei toda a idéia bem surreal e não botei muita fé. Minhas apostas se confirmaram quando Fulaninho começou a fazer uns barracos na rua, brigar, chorar, discutir. Ele não entendia como a mulher dele podia amá-lo mas decidir namorar a minha amiga. No fundo, nem eu.

A cabeça não deixa. Por mais que seus sentimentos sejam puros e verdadeiros a cabeça vai ficar instigando. Mas o que eu faço de errado que o/a leva a precisar de outra pessoa? Porque ele/a me satisfaz completamente e a recíproca não é verdadeira? Não sei. Deve ter a ver com aquele lance do sexo ser tão feio, sujo e bobo. Talvez, resolvendo isso, tudo se resolva.

related song:
“If you have lots of others, please let me be… Please let me be one… Let me be one…”

Contos eróticos: quem sabe mais tarde?

January 22nd, 2008 by raquelcamargo

Confesso que essa não é minha literatura preferida. A primeira vez que eu tive disposição para ler um livro de contos eróticos foi no auge da minha vida de solteira. Embora a fase fosse bacana, a tentativa foi um fracasso, fato que (talvez) justifique o trauma.

Um amigo me emprestou o Delta de Vênus. Escrito por uma feminista francesa, Anaïs Nin (é, nome sugestivo!), o livreto é um punhado de putar casos  chocantes. Ah, quer saber se sou conservadora? Digamos que muit um pouco, mas o livro tem umas coisas realmente fortes, não foi frescura minha.

Eu interrompi a leitura do livro quando tive um pesadelo por causa de um dos contos. Acordei desesperada, sem saber direito o que acontecia e, claro, culpei o livro por isso. O problema foi uma história de incesto que eu li (que, em questões literárias, é até interessante). Ao virar personagem do maldito conto no pesadelo, traumatizei-me tão bravamente que devolvi o livro no dia seguinte. Até de lembrar é ruim, aff!

Mas antes do pesadelo, a leitura já não estava me agradando como deveria. Expectativas! Achei que a obra me despertaria curiosidades, “coisa e tal”; mas não, o livro me dava era estranheza. Eu, com minha mania de estudar tudo “tecnicamente”, parei de ficar neurada com os exageros das histórias e comecei a viajar no ponto de vista psicológico dos escritos. Li em algum lugar que a escritora se dedicou bastante à psicanálise e então comecei a perceber os rastros freudianos no livro.

Brochante isso? Pode até ser, mas a leitura ficou um pouco mais interessante assim.

Relembrando as partes que eu li e encaixando no pouco que sei de psicanálise, confirma-se a teoria de que sou excêntrica, burocrática e, ahn, um pouco dos adjetivos aplicados à obra. Essa frase, da própria Nin, colocou um ponto final nessa minha auto-análise. “Não vemos as coisas como elas são, mas como nós somos”. (Toma, Raquel, fica quieta agora). Tapa na cara!

Pensando em repensar os conceitos e atitudes, aceito dicas de livros do gênero :)