Ônibus 3

June 20th, 2008 by Ronaldo Costa

Peguei o ônibus pela manha para ir ao trabalho, e pensei que seria mais um dia normal de trabalho e faculdade. Engano. Ledo engano.

No meio do trajeto vi uma moça muito bonita sentar no banco oposto ao meu. Vi (e escutei) que estava de fones escutando uma musica no ultimo volume. Depois de uns dois pontos a frente entra um rapaz bem vestido para ser um entregador de flores. Sim, ele esta com um buquê enorme nas mãos.

O ônibus estava com quase todas as cadeiras cheias, ou seja, não tinha ninguém em pé, e todos sentados mal sabendo o espetáculo que estava para começar. O rapaz das flores chegou bem perto da moça bonita do banco oposto e vi que, quanto mais próximo ele chegava, mais ela ficava vermelha e afundava na cadeira. Consegui ler dos seus lábios “Não, não, não…”, dizia bem baixinho.

- Por favor, Ana. Tire os fones. – disse o rapaz tocando-a no ombro.

- Leo, não faça isso, por favor. – sussurrou a menina do banco oposto, agora com nome.

- Agora é tarde, meu bem. Você não quis me escutar. – Disse ele voltando para junto ao trocador.

E a festa começou:

- Senhoras e Senhores. Estou aqui hoje para não só ir ao meu trabalho, pois não estou aqui pra roubar e nem para matar. Apenas, e digo apenas (Essa parte me comoveu, ele dizendo isso apontando pro céu e depois apontado para a Ana) para declarar o meu amor por essa garota. Uma garota tímida e meiga. Que hoje recebe das minhas mãos essas flores – foi na direção dela e entregou as flores, notei que ela não queria pegar, mas ele simplesmente abandonou as flores em seu colo.

- Agora, leio esses versos que fiz pra ela:

Ana, uma menina bacana.
Que Deus colocou em minha vida.
E não vai tirar por que não é sacana.
E vai alegrar a minha humilde vida.

- Ana, gostaria de fazer isso por você! E só não fui ao Gugu no quadro loucuras de amor, porque ainda não me chamaram. Mas, tenho fé em Deus que irei ser chamado. E não só esse ônibus hoje, mas todo o Brasil e o mundo, saberão o meu amor por você.

Mal, terminou de falar algumas pessoas (sacanas) aplaudiram de pé, mas no seus lugares como medo de perdê-lo, pois o ônibus já estava cheio. E no meio desse tumulto todo a Ana desceu correndo com as flores na mão, e claro o tal Leo foi atrás. Muitos (inclusive eu) colocaram a cabeça pra fora pra ver o final (ou inicio) dessa historia. Mas, o ônibus arrancou e não conseguimos escutar nada.

Nunca mais vi essa garota no ônibus (e nem em nenhum noticiário policial), cheguei ate a pegá-lo uns dois horários antes e depois do habitual, mas nada. Simplesmente fico pensando no que as pessoas são capazes para libertarem da vida de solteiro, pobre mortais!

Ônibus 2

June 1st, 2008 by Ronaldo Costa

Marcos estava no ônibus indo para o trabalho, quando sentou uma loira de proporções suaves e alegre. Marcos pensou rápido e pegou um livro da biblioteca que tava na sua mochila e nem sequer tinha lido e já tinha passado a data de entregá-lo. Lendo em qualquer pagina e toda hora olhava de rabo de olho pra garota, ela percebendo olhava também. Até que nessas trocas de olhares pela metade ele vira pra ela e aponta o dedo:

- Ah! Você me pegou! Sim, eu tava olhando pra você! Me condene! – Disse ele um tanto quanto alto para 7 horas da manha, onde todo mundo quer apenas cama – Prazer, meu nome é Marcos e o seu?

- Err… Letícia. – Disse a garota totalmente vermelha.

- E aí, ta indo pra onde? – Disse Marcos.

- To indo pro trabalho.

- Hummm… Gosto de garotas que trabalham. Amelias é coisa do passado, né? E você faz o que?

- Eu trabalho num laboratório, sou recepcionista. – Disse Letícia com uma vontade de sumir no mundo, pela altura com que ele falava e todos olhando.

- Recepcionista?! E você recebe o que? Hahahaha! Sacou o trocadilho?!Ahn… ahn… – Marcos foi falando e fazendo o famoso gesto do trocadilho com os dedos.

- Eu trabalho com vendas de celular. Qual é o seu numero?

- É um Nokia 6100. – Disse Letícia friamente e esperando que ele notasse.

- Garota esperta, não to falando do modelo, to falando do numero mesmo…

- Olha, já ta quase na hora d’eu descer, depois conversamos…

- Ta afim de tomar um café da manha comigo não? – Disse Marcos já segurando-a pelo braço.

- Já tomei em casa, obrigada.

- Vai perder o lnachinho da sua sogrinha, olha que ela colocou pra mim hj… Hum… deixa eu ver… Tem um bolinho de cenoura e um todynho… Ahn…Ahn… Vai perder!?

- Já perdi! Tchau!

Ônibus

April 14th, 2008 by Ronaldo Costa

Vou começar uma sessão de (mini)crônicas sobre os encontros e as tentativas de paqueras num lugar tanto inusitado, mas não impossível, o ônibus. Quem nunca pensou em chegar mais perto de uma garota(o) que sentou ao seu lado? Uma tentação que nos faz dizer ou fazer coisas que transcende o apropriado pro lugar, e as vezes, a hora. Porque você não vai chamar uma garota pra tomar uma choppinho às 7hs da manha… ou vai?

Sempre é bom lembrar que personagens são fictícios e qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

– Licença. – Disse a garota ao sentar.

– Será uma honra ter a sua presença ao meu lado. – Disse o garoto. Qual o seu nome?

Um silêncio constrangido da garota e por fim:

– Ana, e o seu?

– José Antonio, mas pode me chamar de Toni. – Deu um sorriso de orelha a orelha e ajeitou os óculos de grau.

– Indo pra faculdade? – Perguntou Toni.

– É… – Respondeu Ana sem muitas expectativas de continuar a conversa.

– E você faz o que?

– Eu faço publicidade…

Depois de um silencio que por fim Ana estava dando graças a Deus e iria descansar…

– Você tem horas? Eu acho que o magnetismo que envolveu os nossos corpos fez o meu relógio parar.

– Oh! E fez o meu parar também! Vou sentar bem longe de você para que nosso relógio continue funcionando. Tchau!

Ana juntou as suas coisas e ia saindo quando Toni pega-a pelo braço:

– Você ainda não me passou o seu numero.

– Numero? Numero do que? CPF? RG? Cartão de credito… – Ela Foi falando e saindo.

ps: Essa semana ainda posto o final do conto do Arthur! ;)