Vou escrever  essa última da coleção aonde tudo começa que é no ponto de ônibus.

E num dia da semana qualquer à noite estou sentado numa marquise ao lado de uma garota, diga-se de passagem, uma linda garota. Quando chegou um rapaz e segue o diálogo:

- Oi, tudo bem? – Disse o garoto sentando ao lado dela.

- Tudo. Err… Eu te conheço? – Pergunta a garota.

- Eu acho que já te vi no mesmo ônibus que eu. Meu nome é Fernando e o seu?

- Gabriela. Ah, então deve ser isso.

- Pois é, tem um pouco mais de um mês que pego esse ônibus, mudei e não conheço ninguém no bairro.

- Ah, desse mal eu não morro. To no bairro desde que eu nasci.

- Poxa. Legal! Bem que você podia me ajudar a conhecer o pessoal lá. Vim do interior e não conheço ninguém alem do pessoal do trabalho.

- Claro. Eu já conheço quase todo mundo, nem que seja de vista.

- Me passa o seu telefone então pra gente marcar.

Celulares na mão e telefones sendo anotados, não só telefones…

- Voce tem msn? É bom que a gente vai se conhecendo também.

- Tenho sim, anota aí.

- Beleza. Oh, o seu, quero dizer, o nosso ônibus chegando. Mas, eu não vou nesse não. Vou esperar um colega. Te ligo depois então.

- Ah, então ta… Fico esperando sim. Tchau.

- Tchau.

Depois que ela foi embora fiquei reparando no rosto do rapaz. Um sorriso, um sorriso que parecia de garoto satisfeito depois de comer um bolo de chocolate inteiro. E sinceramente, eu acho que ele precisa desabafar, olhou pra mim e explicou a situação:

- Cara, você não vai acreditar. – Me disse ele arredando mais pro meu lado.

- Bom, depende. Me conte e eu decido. – Não que eu seja curioso, mas fica difícil acreditar ou não, sem saber o que é.

- Eu sempre vi essa menina nesse ponto, trabalho logo ali embaixo. Bixo, fiquei pensando durante um tempo como chegaria nela. Ate que me veio essa idéia e não é que deu certo? Agora é só jogar uma conversa mole no msn e marcar um encontro.

- Uai, cara… Mas, dá pra você marcar de encontrar com ela também, me desculpe, mas eu escutei a conversa, e vi que você mora no mesmo bairro que ela. – Foi exatamente nesse ponto (sem trocadilhos) que percebi o tamanho da minha ingenuidade.

- Cara, mas é aí que ta o lance. Eu não moro no mesmo bairro que ela. Só arrumei essa desculpa pra puxar papo e pegar o contato da garota.

Pronto! Eu não ia acreditar mesmo, ele venceu e a minha ingenuidade jogada na minha cara.

- Agora como vou explicar pra ela isso, é a próxima etapa. Mas, uma coisa de cada vez. Cara, vou chegar nessa. Abraço pra você.

- Outro. E aqui… Mandou bem cara.

- Valeu. A gente faz o que pode.

Vou contar uma coisa pra vocês. Vou continuar a andar de ônibus. To reparando que tenho aprendido muito com isso.

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