Ônibus 3
Peguei o ônibus pela manha para ir ao trabalho, e pensei que seria mais um dia normal de trabalho e faculdade. Engano. Ledo engano.
No meio do trajeto vi uma moça muito bonita sentar no banco oposto ao meu. Vi (e escutei) que estava de fones escutando uma musica no ultimo volume. Depois de uns dois pontos a frente entra um rapaz bem vestido para ser um entregador de flores. Sim, ele esta com um buquê enorme nas mãos.
O ônibus estava com quase todas as cadeiras cheias, ou seja, não tinha ninguém em pé, e todos sentados mal sabendo o espetáculo que estava para começar. O rapaz das flores chegou bem perto da moça bonita do banco oposto e vi que, quanto mais próximo ele chegava, mais ela ficava vermelha e afundava na cadeira. Consegui ler dos seus lábios “Não, não, não…”, dizia bem baixinho.
- Por favor, Ana. Tire os fones. – disse o rapaz tocando-a no ombro.
- Leo, não faça isso, por favor. – sussurrou a menina do banco oposto, agora com nome.
- Agora é tarde, meu bem. Você não quis me escutar. – Disse ele voltando para junto ao trocador.
E a festa começou:
- Senhoras e Senhores. Estou aqui hoje para não só ir ao meu trabalho, pois não estou aqui pra roubar e nem para matar. Apenas, e digo apenas (Essa parte me comoveu, ele dizendo isso apontando pro céu e depois apontado para a Ana) para declarar o meu amor por essa garota. Uma garota tímida e meiga. Que hoje recebe das minhas mãos essas flores – foi na direção dela e entregou as flores, notei que ela não queria pegar, mas ele simplesmente abandonou as flores em seu colo.
- Agora, leio esses versos que fiz pra ela:
Ana, uma menina bacana.
Que Deus colocou em minha vida.
E não vai tirar por que não é sacana.
E vai alegrar a minha humilde vida.
- Ana, gostaria de fazer isso por você! E só não fui ao Gugu no quadro loucuras de amor, porque ainda não me chamaram. Mas, tenho fé em Deus que irei ser chamado. E não só esse ônibus hoje, mas todo o Brasil e o mundo, saberão o meu amor por você.
Mal, terminou de falar algumas pessoas (sacanas) aplaudiram de pé, mas no seus lugares como medo de perdê-lo, pois o ônibus já estava cheio. E no meio desse tumulto todo a Ana desceu correndo com as flores na mão, e claro o tal Leo foi atrás. Muitos (inclusive eu) colocaram a cabeça pra fora pra ver o final (ou inicio) dessa historia. Mas, o ônibus arrancou e não conseguimos escutar nada.
Nunca mais vi essa garota no ônibus (e nem em nenhum noticiário policial), cheguei ate a pegá-lo uns dois horários antes e depois do habitual, mas nada. Simplesmente fico pensando no que as pessoas são capazes para libertarem da vida de solteiro, pobre mortais!
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June 20th, 2008 at 11:44 pm
O melhor foi o poema, percebe-se que ele mesmo escreveu!!
Pobre Ana… Mas fico pensando, como será que ela o conheceu? O que teria dito ao Leo, que o fez amá-la tanto? rs rs rs
Fica seduzindo os pobres mortais, depois não aguenta as consequencias!! hehehe
Adorei o blog!! Muito divertido!!
=**
July 20th, 2008 at 1:39 am
Mals aí…
Mas agora não dá. Já é a terceira vez.
Essas histórias nos ônibus são muito ruins. E eu não vou dizer tudo o que eu penso.